sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A correspondência entre os Drummonds da Madeira e da Escócia (documentos)

Aqui reproduzo alguns dos documentos citados no texto "Os Drummonds da Madeira e as correspondências com a Escócia", neste blog.

1. Atestado emitido pelo governo escocês confirmando que João Escócio era do clã Drummond
2. Carta de David, Lord Drummond, chefe do clã, para os descendentes de João Escócio na ilha da Madeira
3. A carta do item 2 na sua língua original, o inglês
4. Carta de brasão emitida pelo rei de Portugal, d. João III, para os Drummond da Madeira
5. Carta do rei da Inglaterra, James I, para o rei da Espanha, Felipe II
6. Carta do mensageiro inglês, William Crawford, que fora à Madeira


1. ATESTADO emitido pelo governo escocês confirmando que João Escócio era mesmo do clã Drummond. O atestado foi requerido pelos descendentes de João Escócio na ilha da Madeira em 1519 e foi concedido em 1525. Abaixo, a tradução para o português do original em latim, que aparece em Noronha (1700) [1], que disse que tinha o documento em seu poder.. Atualizei a ortografia para os tempos atuais e fiz uma divisão temática do texto, que originalmente era inteiriço, para melhor compreensão. Data: 18 de maio de 1525.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado

[Preâmbulo]

Em nome de Deus, Amém.

[Destinatários] A todos e a cada um de qualquer estado, ordem, condição ou dignidade que seja que as prezentes letras e instrumento público hajam de ver, ler e ouvir,

[Data] que, no anno da encarnação do Senhor, comforme o modo da Igreja escocesa, de mil  quinhentos vinte e cinco anos, aos dezoito dias do mês de maio, indicção treze; e no segundo ano do Pontificado do  Santissimo em Cristo, Pai e Senhor nosso, Clemente, por divina Providência Papa, sétimo; no duodécimo ano do reino do Excelentíssimo Príncipe e Senhor nosso, Senhor Jacob, ilustríssimo Rei de Escócia, quinto, 

[Local] no Paço do Reverendíssimo em Cristo, Pai e Senhor nosso, Senhor Jacob, por Graça de Deus e da Sé  Apostólica, Arcebispo de Sancto André, Primaz de todo o Reino de Escócia, Legado e  Cancelário do mesmo Reino e Commendatário perpétuo de Dumferling e do Conselho do dito Supremo Rei nosso, abaixo do Burg de Edimburget,

[presentes] e em presença do meu Notário Público e das testemunhas abaixo escritas,

[a equipe que analisou as informações] pessoalmente apareceram os nobres e poderosos varões: Archibaldo, Conde de Angusia e Senhor de Duglas; Jorge, Conde de Huntley e Senhor de Gordon; Roberto Barton, Senhor de Barton, antes chamado Rotulator do Conselho Supremo d’El Rei, nosso Senhor e Governador do Senhor David Drummond de Stobhall, pupilo; João Drummond, Senhor de Bordland; Jacob   Drummond, Senhor de Pit; David Drummond, Senhor de Milnab; e Guilherme Drummond, Senhor de Pitcorne, da geração e família do dito David, Senhor de Drummond de Stobhal, gozador por longa successão de tempos;

[em honra da verdade] os quais todos e cada um disseram que, porque a verdade se havia de preferir à amizade e se da uma e da outra se tratara a questão, mais santo era honrar a verdade, de onde vinha que os ditos Senhores Condes, Barões e Nobres, não com dádivas nem amizade, mas só movidos da verdade, deram testemunho certíssimo e veríssimo, e de presente o dão, que:

[Testemunho]

[Informação que receberam]

[souberam que John Drummond morreu na madeira] vindo-lhes à sua noticia, de maneira que há cem annos ou mais, que o Senhor João de Drummond, filho do Senhor João de Drummond de Stobhall, na Ilha da Madeira morreu;

[e que lá mudou de nome] o qual, enquanto viveu, porque era escocês, não usando de próprio vocábulo de sua geração e ascendencia, como costuma muitas vezes acontecer àqueles que se mudam para nações estranhas, mas usando da língua portuguesa, ou de outra qualquer particular, os homens daquela Ilha lhe costumaram chamar João de Escócia;

[mas contou sua origem a alguns] o qual, não se esquecendo de sua nobreza pelas grandes partes de seu ânimo, veio a enriquecer muito; e, porque seus filhos depois não viessem nem fossem tidos e respeitados, por de geração obscura e baixa, descobriu estas coisas a seu Confessor e a outros:

[o que contou] e de que maneira, deixando o Reino de Escócia, se partira para a dita Ilha da Madeira, e que aí casara e gerara muitos filhos e filhas, os quais depois, até estes tempos presentes, deste tronco, em aumento e louvor da Religião Cristã e honra desta nobre família de Drummond, se estenderam e nasceram mais de cem pessoas;

[Conclusões a que chegaram]

[os nobres pesquisaram a veraricade da informação e concluíram o seguinte] pela qual causa, sendo chamadas em ajuntamento muitos da nobre família de Drummond e revolvendo-se diligentemente as armas e antiguidades da dita família, conforme ouviram e alcançaram de seus antepassados, e certíssima e indubitalvelmente conheceram que:

[filiação de João Escócio] o dito Senhor de Drummond, que na Ilha da Madeira faleceu, fora filho do Senhor João Drummond de Stobhall, o qual era irmão da Ilustríssima Senhora Anabela, Rainha da Escócia, da qual, successivamente por linha direita, os nobilíssimos Reis da Escocia sucederam, dos quais o quinto mancebo ainda nestes nossos tempos reina ditoso.

[era irmão de Malcolm, conde de Marren] E que o mesmo fora irmão do nobilíssimo Senhor Malcolm de Drummond, Conde de Marren, e que nascera juntamente com quatro irmãos de preclara nobreza, de uma filha do nobilíssimo Senhor Milo de Santo Claro, Conde de Orcadia,

[as viagens de João Escócio] o qual Senhor João de Drummond, morto seu pai e Senhor João de Drummond de Stobhald, por ser homem magnânimo e mui desejoso de conhecer várias nações e correr diversos reinos, deixando o reino de Escócia, seguindo melhor fortuna a que a esperança o guiava, se partiu para França, e daí para o reino de Granada para pelejar contra os inimigos de Cristo contrários de graça aos Cristãos; e depois se partiu para a Ilha da Madeira, onde, como acima fica dito, deixando muita geração, morreu.

[era irmão de Walter de Stobhall] E o mesmo era irmão do Senhor Walter, Senhor de Stobhall, da nobre e ínclita família de Drummond, da qual descenderam quase todos os grandes, Duques, Condes e Barões do Reino de Escócia, e a mesma nobreza real, ou pelo menos são conjuntos em sanguinidade e afinidade aos progenitores da mesma familia de Drummond;

[Relato da tradição]

[para manter a tradição] e, para que, começando dos princípios, apareça mais acrescentada a honestidade e honra desta família e a base e origem deste Reino dos Escoceses, de onde se estenderam tantos nobilíssimos ramos, em todos seja  claro e manifesto, passados pouco menos de quinhentos annos:

[Edgar Aethling] Edgar, filho de Duarte, Rei de Inglaterra, morto seu pai, sofrendo [os] muitos infortúnios de seu reino e fugindo a um irmão de seu pai, que tiranicamente pretendia tomar-lhe o reino,

[Mauritz aconselha a fuga] por conselho e persuasão de um nobilíssimo e prudentíssimo varão que El-Rei húngaro tinha mandado com sua filha, mãe do dito Edgar, quando se veio receber com o dito Duarte à Inglaterra para a aconselhar com sua Mãe Margarida,

[naufragam na costa da Escócia] se embarcaram para Hungria e, levantando-se uma tempestade, deu com eles em uma enseada do mar de Escócia;

[Malcolm III manda resgatar os náufragos] e sabendo Malcolm, Rei dos Escoceses, do dito naufragio, mandou alguns dos grandes de seu Paço, que, se algum daqueles nobres ingleses escaparam do perigo do naufragio, lhos levassem,

[casamento de Malcolm III com Margareth] aos quaes, incitando com a fertilidade da terra, se casou com a Margarida, a qual, além de outras obras esclarecidas que fez, foi o celebérrimo Mosteiro de Dumferlino, trazendo para ele varões de grande e admirável religião, e o dotou de possessões mui amplas, a qual esclareceu e esclarece em muitos milagres e é muito celebrada e honrada no catálogo dos Santos de Escócia.

[o húngaro caiu nas graças da rainha] Esta sanctissima Rainha e seu Marido, Rei dos Escoceses, foram mui inclinados àquele húngaro que, dissemos, fora progenitor desta família de Drummond, e tão conjunto por consanguinidade com a Rainha que o enriqueceram com amplíssimos dons e mercês e senhorios, e dos quaes até esta hora gozam os successores do dito progenitor;

[o nome "Drummond] e, para que a origem de Drummond com diuturnidade do tempo não perecesse e se acabasse na memória dos homens, o primeiro senhorio que a dita Rainha ao progenitor foi chamar-lhe Drummond, a qual palavra em latim quer dizer enchente e suma de aguas;

[o brasão] e por esta causa deu por armas, a esta insigne família, as ondas do mar flutuoso de rúbia em um campo de ouro, em sinal do perigo em que esta Rainha se viu no mar, para o progenitor e seus descendentes; e que essas armas fossem levadas por dois homens silvestres, porque aquele Senhorio naquele tempo era silvestre; o mandou sustentar e trazer, assim como todos os daquela família até hoje trazem e mandaram aos seus parentes que na Ilha da Madeira moram o trouxessem;

[Finalização]

[para que se dê crédito ao documento] e, pâra que em todo lugar se dê crédito a todas e a cada uma das coisas que neste presente instrumento, com seus escudos de armas e subscrições de suas próprias mãos e com escudo do dito Senhor David, Senhor moderno de Drummond, no qual estão esculpidas as insígnias da família de Drummond, em fé e testemunho do sobredito será comum; e, para que se dê maior crédito a seus testemunhos junto ao do Reverendíssimo Senhor Arcebispo e Cancelário,

[selo do rei e assinatura do notário] pediram que se dependurasse aqui o selo grande do supremo Senhor Rei, nosso presente; e por mim, Notário Público com juramento da Sé Apostólica, em presença das testemunhas abaixo escritas, me mandaram subescrevesse e assignasse;

sobre as quais coisas todas e cada uma delas, o dito Roberto Berton, Senhor de Berton, do Conselho do dito Supremo Senhor Rei nosso, pediu a mim, Notário Público, um ou muitos publico ou publicou instrumento ou instrumentos;

[local e data] e foram feitos no dito logar, no Reino de Escócia, junto ao meio-dia, no ano, dia e mês, indicção e Pontificado dito no princípio.

[Testemunhas presentes] Estando aí presentes os Reverendos Padres em Cristo Gavvino, pela Misericórdia de Deus Bispo de Charia,   do registro dos rótulos e do Conselho do Senhor Nosso Rei Jacob; Bispo Dumblamente; os nobres e poderosos Senhores Colino, Conde Ergalia; o Senhor Campbel e Lorne; João, Conde de Lennox e o Senhor de Derville; Berto, Conde de Gloncarne, Senhor de Falmaver; João Lindsey, Senhor de Petring; João Stremevilg, Senhor de Hert; Jacobo Toveert, Senhor de Imerslet; soldados, João Chartres, Senhor de Avis; Mestre David Lengorne; Senhor Alexandre Scat; Capellão Adam Read de Sterquinet; com outras muitas testemunhas rogadas para a verdade destas cousas.

[assinatura do notário público] E eu, Mestre João Chapman Clascogen, por apostólica autoridade Apostólico Notário, porque, passando todas as coisas e cada uma delas assim e da maneira que estão ditas, juntamente com as testemunhas nomeadas, a que tudo me achei presente, e todas estas cousas e cada uma delas vi fazer e ouvi e alcancei; por isso fiz instrumento público escrito por minha mão e subescrevi e publiquei; e com o sinal, nome e subscrição que costumo; e assignei rogado e requerido em testemunho da verdade de todas e cada uma das cousas acima declaradas

João Chipman etc.


2. CARTA de David, Lord Drummond, chefe do clã, para os descendentes de João Escócio na ilha da Madeira, datada de 1519. Foi enviada juntamente com o atestado do item 1. O origial está em inglês; abaixo, uma tradução para o português [2]. Data: 1º de dezembro de 1519.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado

Queridos e bem-amados primos. Recebi, e deu-me muita satisfação, a vossa carta da Ilha da Madeira de 02/07/1519, trazida para a Escócia por Tomaz Drummond, nosso parente, e, de acordo com a nossa plena e peerfeita informação0, também sabemos que um certo João Drummond, há cerca de 100 anos, partiu da Escócia e se estabeleceu na Ilha da Madeira, onde a sua geração tem aumentado até 200 homens, mulheres, filhos, netos e bisnetos, seus descendentes, e que o dito João Drummond, vosso predecessor, escondeu até a sua última hora, aos da ilha, e aos que com ele conviviam, o seu nome, sangue e geraçã9o0, pelo que a verdeade do seu nascimento ficou encoberta, até que, perto da morte, a descobriu ao confessor e a outros chamados para testemunhas, e disse que, conformando-se com a língua portuguesa, passou a usar o nome de João Escócio, em lugar do seu verdadeiro nome, que era João Drummond.

    A fim de vos dar inteiro e suficiente esclarecimento sobre a origem do vosso ascendente e seu antepassado, mando-vos a seuginte notícia. Um nobre Lord, João Drummond de Stobhall, nosso quinto avô, era irmão da ilustre Lady Anabela Drummond, rainha da Escócia, da qual em lijnha reta descendem cinco dos mais ilustres reis da Escócia, sendo o atual reinante o quinto desta série. Este João era também irmão de Malcolm, conde de Mar, que morreu sem filhos; e ao qual, João seu irmão, sucedeu, tendo casado com Isabel, filha do mui nobre Lord Henrique Sinclair, conde de Orkney, da qual teve vários filhos e primeiro foi Walter Drummond, senhor de Stobhall, nosso quarto avô, e o mais novo, João, vosso antepassado, que, sendo um galante gentil homem, conforme verdadeira informação dos mais antigos de nossa família, há uns 100 anos foi para França em busca de honra e fama e de quem nunca tivemos quaisquer notícias antes da vossa carta, pelo conteúdo da qual investigamos detalhadamente, com o nosso mais velho parente, e, depois de muito procurar, chegou-se à conclusão de que só ele, cerca dessa época, e com esse nome, partira da Escócia; de maneira que estamos firmemente persuadidos, e com o resto de vossos parentes afirmamos, que o citado João Escócio, vosso bisavô, era filho do dito João Drummond, Lord de Stobhall e irmão de Walter Drummond, e que ele descende da nossa antiga casa e comuns predecessores, o qual deu origem a notórios duques, condes, barões deste reino, e ainda aos nossos reis. Além disso, e afim de que o pirncípio da nossa raça no reino da Escócia possa mais calramente ser conhecido, dir-vos-hei que há perto de 500 anos, um rei da Inglaterra, herdeiro dierto à coroa (embora nunca tivesse reinado), chamado Eduardo, o Proscrito, filho de Edmundo Costas-de-Ferro, estando exilado na Hungria, casou com Ágata, irmã da rainha SOfia, mulher de Salomão, rei da Hungria, e filha do imperador Henrique II, e gerou um filho, Edgard Atheling, e duas filhas, Margarida e Cristina. Eduardo, o Proscrito, veio da Hungria com o seus filhos para a Ingalterra, onde morreu; seu filho Edgard Atheling e sua irmã, fugindo de Guilherme, duque da Normandia, então conquistador da Inglaterra, regressaram à Hungria, para maior segurança dos seus títulos à coroa, fazendo-se ao mar sob o comando de um certo húngaro, seu primo e conselheiro, mas, pela violência duma tempestade, foram atirados às costas da Escócia, e desembarcaram num lugar atualmente chamado Baía da Rainha Margarida ou de Santa Margarida.

    Malcolm Keandmore, então rei dos escoceses, e que tinha a corte perto do lugar, foi em pessoa, como alguns dizem, ou, segundo outros, mandou uma honrosa mensagem, a convidá-los para a suja casa, onde foram regiamente tratados; e o rei, impressionado com a beleza e as virtudes da irmã de Edgard, Margarida, com ele se casou e fê-la rainha, com grande contentamento de todos os súditos.

    Para que a maioria de nossa raça, através dos tempos, se não perdesse, o citado rei e a rainha deram ao nosso antepassado húngaro um senhorio e um título de nobreza, a saber: Drummond, para ele e seus descendentes, e um brasão de armas, como distintivo de honra, em campo de ouro, faixas ondeadas de vermelho, e como suporte, a selvagens; tudo isto pode ser lido no atestado que mando, com o selo real de Escócia, e o selo e assinaturas de todos os membros do Conselho então presentes, as quais armas, como nós mesmos as usamos, assim nós vo-las mandamos (para usardes delas) por um portador daqui, ao qual podeis dar crédito. Mas, se preferirdes, manda-nos um dos vossos, que saiba falar a língua latina (porque a língua portuguesa nos é totalmente desconhecida), nós tratá-lo-emos como nosso próprio filho.
    (...)
    Castelo de Drummond, 01/12/1519. David, Lord Drummond.

    Tradução da carta de Lord Drummond (escrita em inglês) a seus primos da ilha da Madeira.

3. A carta do item 2 acima na língua orginal, o inglês, copiada do livro do visconde de Strathallan, pág. 93 [3]. Obs.: Foi mantida a grafia do inglês de 1681. Data: 1º de dezembro de 1519.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado 

"Dear and welbeloved Cusines, I have receaved, and understood//
much to my comfort, and with a very good will, your letter from the//
Ile Madera, of the 2d of July, in the year of our Redemption 1519,//
brought to Scotland by Thomas Drummond, our kinsman; and//
according to youre plenarie and full information, I find that a certaine//
gentleman, John Drummond, about 100 years agoe, departed from//
Scotland, and setled himselfe in the Ile of Madera, where his gene-//
ration happily increassed to the number of 200 men, women, and//
[94]
children, and grand-children, descended of him; and that the said//
John Drummond, youre predicessor, concealed to his latter time from//
them of the Island, and those he conversed with, his name, blood, and//
generation, whereby the original of his extraction, and what belonged//
to his posterity therein, remained till then covered; save that about//
his end, he disclosed to his ghostly father in confession, and others//
called for witnesses, that he, accommodating himselfe to the Portugal//
tongue, went by the name of John Escortio, whereas his own proper//
name was John Drummond.

"For giveing you a full and sufficient certaintie of the nativitie and//
extraction of youre progenitor and his forbeers, you shall receave the//
following relation. A noble Lord, John Drummond of Stobhal, our//
great-grandfather's great-grandfather, was brother to the illustrious//
Lady Annabella Drummond, Queen of Scotland, from whom lineallie//
are descended Five most excellent kings of Scotland, whereof the Fifth//
at this time most gloriously reigneth. This John was also brother to//
Malcolm, Earle of Mar, who dyed without children; and to whom John//
his brother succeeded, who married Elisabeth, daughter to the right//
noble My Lord Henrie Sinclar, Earle of Orkney, by whom he had//
diverse children; the first Walter Drummond, lord of Stobhal, our//
great-grandfather's grandfather, and the youngest John youre ancestor;//
who, being a gallant and heigh spirited gengleman, according to the//
true information of the ancientest of our trybe, about 100 yeares agoe,//
went to France to seek honor and reputation; of whom we never heard//
any tydings before youre letter, the contents whereof we have with//
the oldest men of our kindred, particularly examined, and after much//
search, it's found that he only about that tyme, and of that name, went//
from Scotland; so that we are assuredly persuaded, and, with the rest//
of our friends, affirm, that the foresaid John Escortio, youre grandfather's//
grandfather was sone to the said John Drummond, lord of Stobhall,//
and brother to Walter Drummond, and that he descended from our//
[95]
ancient House and predeccessors; as lykewise have done the cheafe//
dukes, earles, and barrons of this Kingdome, and even the Royall race//
of our Kings also.

"Furthermore, to the end, that the maine ground and foundatione//
of our gentilitie in the kingdom of Scotland, may more cleerely be//
known unto youre Worthines, understand that near 500 yeares agoe,//
a King of England, righteous aire to the crown, albeit he never injoyed//
it, called Edward the Outlaw, sone to Edmond Ironsyde, being an//
exile in Hungarie, married Agatha, sister to Queen Sohpia, wife to//
Solomon king of Hungarie, and daughter to the Emperour Henrie//
the second, and begot a sone, Edgare Atheling, and tuo daughters,//
Margaret and Christian. Edward the Outlaw came from Hungarie//
with his children to England, where he dyed; his sone Edgar Atheling//
and his sisters flying from William Duke of Normandie, then conquer-//
our of England, back to Hungarie fo rsafety for fear of danger, because//
of theire title to the crown, tooke the sea under the conduct of ane//
Hungarian gentleman, their Cusine and Councellor, bot by the vio-//
lence of a storme, were driven upon the Scotish shore, and landed at//
a place, called to this day, Queen Margaret of St. Margaret's Hoop.

"Malcolm Keandmore, then King of Scots, haveing his court near//
the place, went himselfe, as some say, or, as others, sent ane honourable//
message to invite them to his court, where they were royally enter-//
tained, and the King being taken with the beautie and deportment//
of Edgar's sister Margaret, married her for his Queen, to the great//
contentment of all his subjects.

"And to the end the root and original of our Posteritie and kindred//
through lapse of time should not decay, the foresaid King and Queen//
gave unto our Hungarian forefather, a Lordship and name of Gentrie,//
to wit, Drummond, and to him and his posteririe, a coat of armes, as//
a badge of honour: Sea waves of red collour in a golden shield, sup-//
ported by tuo favage or wyld men; all which you may read, attested//
[96]
under the great seal of Scotland, with the seals and subscriptions of//
every member of the Councell then present, sent to you heirewith;//
wich armes, as we bear them oure selves, so we send them to yow for//
youre use by the bearer heireof, to whom you shall be pleased to give//
credit. Bot if you would be pleased to send us one of youres, who can//
speake the Latine tongue, because the Portugal language is altogether//
unknowen to us, we should use and treat him as our own sone.

"In the mean time thanking you heireby, and accepting youre//
letters more gratefullie out of the hands fo the said Thomas Drum-//
mond, then if he had brought us ten thousand crowns, for none can//
doe us a more acceptable kindnes then to bring us certaine tydings//
of the welbeing and increass of oure generation and kindred amonst//
strangers, as we understand by youre letters, wich we pray God to//
bless with the increase of all posteritie and happines.

David Lord Drummond.

"At Oure Castle of Drummond,
"the 1 of Decemb. 1519.

"For our dear and welbeloved Cusines Manuel Alphonso//
Feriera Drummond, and his bretheren, Gentlemen in the//
Ile of Madera."

4. CARTA DE BRASÃO emitida pelo rei de Portugal, D. João III, em 1538, a pedido dos descendentes de João Escócio na ilha da Madeira. Abaixo, a tradução para o português do original em latim, que aparece em Noronha (1700) [1], que disse que tinha o documento em seu poder.. Atualizei a ortografia para os tempos atuais e fiz uma divisão temática do texto, que originalmente era inteiriço, para melhor compreensão. Data: 19 de março de 1538.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado 

[Quem fala] Dom João, por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar, em África Senhor de Guiné e da Conquista, navegação, comércio da  Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia; a quantos esta minha Carta virem:

[Petição]

[Ascendência do suplicante] Faço saber que Diogo Pires Drummond, morador na minha Ilha da Madeira, me fez petição como ele descendia, por linha direita sem bastardia, por parte de sua mãe e avós, de geração e linhagem, dos Drummonds de Escócia, que naquele Reino são fidalgos de cota de armas e de solar conhecido, e das principais casas do reino;

[para manter a memória e garantir os privilégios] pedindo-me por mercê que, pela memória de seus antecessores se não perder e ele gouvir e usar da honra das armas que pelos merecimentos de seus serviços ganháram e lhe foram dadas, e assim dos privilegios, honras, graças e mercês que por direito por bem delas lhes pertence,

[pediu carta de armas] lhe mandasse dar minha Carta das ditas armas que estavam registradas nos Livros dos Registros das armas dos Nobres e Fidalgos de meus Reinos que tem Portugal, meu principal Rei de armas;

[Verificação das informações da petição]

[o rei mandou inquirir testemunhas] a qual petição, vista por mim, mandei sobre ela tirar inquirição de testemunhas, a qual foi tirada por meu mandado pelos meus Desembargadores do Paço;

[a ascendência do suplicante que se comprovou] pela qual prova ele, suplicante, descender da dicta geração dos Drummonds de Escócia, como filho legítimo que é de Andreza Gonçalves Drummond, que foi filha legitima de Joana Escocia de Drummond, que foi filha legitíma de João Escócio Drummond, bisavô dele, suplicante, que foi filho de D. João Drummond, Senhor de Escobar em Escocia, irmão de Anabela, Rainha de Escócia, o qual procedia e descendia dos principais Senhores de Escócia da nobre casa de Drummond;

[como foi provado] segundo que tudo isto claramente se provou por instrumentos públicos e autênticos, selados com os sellos da Chancelaria d’El Rei de Escócia e dos outros Senhores do Reino, que foram approvados por meus Desembargadores do Paço;

[Concessão do brasão]

[o rei concedeu o brasão] pelo que de direito as suas armas lhe pertencem, as quais lhe mandei dar esta minha Carta com seu Brasão, Elmo e Timbre, como aqui são divisadas e registradas nos livros dos registros do dito Portugal, meu Rei  de armas;

[o brasão] as quaes armas são as seguintes: “Um escudo com o campo de ouro e três faxas onduladas de vermelho, e por differença uma brica de verde com um D. de ouro; elmo de prata aberto guarnido de ouro, paquife de ouro e de vermelho com sua colheira de ouro”;

[como o brasão deverá ser usado] o qual escudo, armas e sinais possa trazer e traga o dito Diogo Pires de Drummond, assim como as trouxeram e delas usaram seus antecessores, em todos os lugares de honra em que os ditos seus antecessores e os nobres e antigos fidalgos sempre costumaram a trazer em tempo dos mui esclarecidos Reis, meus antecessores; e com ellas possa entrar em batalhas, campos, duelos, reptos, escaramuças, desafios, e exercitar com elas todos os outros atos lícitos de guerra e de paz; e assim as possa trazer em seus firmais, anéis, sinetes e divisas e as pôr em suas casas e edifícios; e deixá-las sobre sua sepultura própria; e finalmente se servir, honrar e gouvir e aproveitar delas em tudo e por tudo como a sua nobreza convém;

[Finalização]

[este documento deve ser cumprida] porém, mando a todos os meus Corregedores, Desembargadores, Juízes e Justiças, Alcaides e, em especial, ao meu Rei de Armas, Arautos e Passavantes e a quaisquer outros Oficiais e pessoas a que esta minha Carta for mostrada e o conhecimento dela pertencer, que em tudo lha cumpram e guardem e façam cumprir e guardar como nela é conteúdo, sem dúvida nem embargo algum que em ela lhe seja posto, porque assim é minha mercê.

[Local e data] Dada na minha mui nobre e sempre leal Cidade de Lisboa aos dezenove de Março.

[Assinaturas] El Rei o mandou pelo Bacharel Antônio Rodrigues, seu principal Rei de Armas. Antonio de Holanda, por Pedro de Évora, Escrivão da Nobreza, a fez, ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos trinta e oito annos.

Portugal, Rei de Armas. 

5. CARTA do rei da Inglaterra, James I, para o rei da Espanha, Felipe II, pedindo-lhe que concedesse aos Drummond da Madeira os mesmos privilégios que o rei de portugal, D. João III, havia concedido (ver documento 4 acima). Abaixo, a tradução para o português do original em latim, que aparece em Noronha (1700) [1], que disse que tinha o documento em seu poder. Atualizei a ortografia para os tempos atuais e fiz uma divisão temática do texto, que originalmente era inteiriço, para melhor compreensão. Data: 12 de agosto de 1613.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado

Jácobo, por mercê de Deus rei da Grã-Bretanha, França e Hibérnia, Defensor da Fé etc., ao Sereníssimo Príncipe e Senhor Filippe Terceiro, Rei das Espanhas, de ambas as Sicílias, de Jerusalém, das Índias etc., Arquiduque de Áustria, Duque de Borgonha e de Milão etc., Conde de Ausburgo Ferrol etc.

Sereníssimo Rei, irmão, parente e amigo,

nosso mui amado Martim Mendes de Vasconcelos, que vive na Ilha chamada de São Pedro, nas partes do Brasil, nos pediu por sua petição que quiséssemos fazer certo a Vossa Magestade como ele e os mais de sua geração que vivem no Brasil ou na Ilha da Madeira descendem da antiga e nobre familia dos Drummonds, no nosso Reino de Escócia; e o mesmo nos pediram as principais cabeças da mesma geração dos Drummonds, dizendo que têm achado por certo que as gerações sobreditas do Brazil e Ilha da Madeira dependem de seus antepassados;

nós, inclinando-nos de boa vontade, confirmamos decerto que os sobreditos descendem da familia e geração dos Drummonds; e, constando-nos a nós, da nobreza e família de Martim Mendes e da honra e lugar em que eu tenho em meus Reinos as Cabeças e Principaes desta familia;

assim, por razão de sua nobreza como do estreito parentesco que conosco tem, não menos vo-lo-hei por encomendado do que antigamente o foram seus antepassados, os Reis de Portugal, vossos avós, queremos-vos pedir isto, para que Martim Mendes entenda quanto nós para comvosco podemos e valemos, fazendo vós grande caso dele e de todos os demais de sua geração que estão em vossos Reinos e Senhorios;

e vos rogamos que o mesmo Martim Mendes no primeiro lugar, depois dele todos os mais parentes seus, acham em vós aquele favor e mercê, e muito maior se for necessário, que acharam nos Reis de Portugal, vossos avós;

nós, consequentemente, se houver alguma ocasião e algum dos vossos espere e queira nossa mercê, nós lhe faremos mui compridamente. Deus, Nosso Senhor, guarde a Vossa Magestade e conserve seus Estados por largos anos.

Dada em nossa Corte de Sensbursense, doze de agosto, Ano do Senhor de mil seiscentos e treze. De Vossa Magestade, irmão que muito vos ama, El Rei Jácobo

6. CARTA do mensageiro inglês, William Crawford, que fora à ilha da Madeira entregar aos Drummonds de lá as respostas do rei da Inglaterra a seus pedidos de recomendação ao rei da Espanha. A carta está na língua orginal, o inglês, e copiei do livro do visconde de Strathallan, pág. 101 [3]. Obs.: Foi mantida a grafia do inglês de 1681. Data: 3 de julho de 1614.

Parágrafo do texto principal onde este documento é citado

"My Noble Lord,

After I came out of England, bound for this place, I was robbed//
by pirrats, and forced to goe to Barbarie, which hes been a great//
prejudice to youre Honors kinsman Martine Mendez de Vasconselles//
Drummond, in regard the letters I carried to him were of ane old//
date. I arrived heire upon the 10th of Aprylle 1614, where many//
Gentlemen of the Drummonds did exceedingly rejoice. I delivered//
The Kings letter and youre Lordhip's to the said Martine, who is//
now gone to the Court of Spaine, not doubting so good success with//
his Majestie there by youre Honors means; for we have heard//
already that the King of Spaine hes conferred upon him the honor//
of being one of the Knights of St. James. Nevertheless it was his//
desyre youre Honor should recommend him to the English ambassa-//
dor at Madrid; and if it were possible to purchass a new letter from//
youre King to his Majestie of Spaine, and also others from the//
Spanish ambassador to some of the nobles at Madrid; for the doubts//
nthing of youre Lordhips care of what concerns him. The original//
certificat, testifying his descent and his friends from youre Honors//
house, and the accompt of the begining of youre family, I have seen,//
with many sealls affixed thereto; whereof he and his freinds make so//
great accompt, that they preserve it as the rarest jeuel in the world,//
whereof youre Lordship shal receave with his own letter ane exact//
transumpt, with all that followed thereon.

[102]
In the ship with thir papers goes foure chiests of excellent sweet-//
meats, directed to the right noble Lady Jean Drummond, Comtess//
of Roxburgh, whereof tuo for herselfe, and tuo for youre honor, one//
with dry succads, and the other with wett: upon your tuo chests//
there is wrytten "For the Ry.t Honourable the Earle of Perth,"//
which is sufficient to know them by. He sent to Barbarie for a fine//
horse to youre honor against next spring. Moreover, if youre h onor//
will permit me to bring one of his little sones to be a page to yow, I//
shall doe it, for he is very willing to send him. So, expecting youre//
Honors ansuere, I commit yow to the protection of the Almightie.

Youre Honors humble servant till death.

W. Craufurd.

From the Island of//
Madera, July 3d, 1614.


Referências

[1] NORONHA, Henrque Henriques de, "Nobiliário Genealógico das Famílias" (1700). Disponível em PDF no site do Centro de Estudos de História do Atlântico. Existe também uma versão em DVD comercializado.

[2] Copiei a tradução do artigo: DRUMMOND, Antônio Augusto de Menezes, "A heráldica da casa de Drummond", Revista do Instituto Genealógico Brasileiro, volume 3 (1937), pág. 32, "XX - D. João Escócio de Drummond".

[3] STRATHALLAN, visconde de (William Drummond). "The genealogy of the most noble and ancient house of Drummond" (PDF). A. Balfour & Co., Edinburgh, 1831; impressão privada, 1889. Primeira edição em livro: 1681.

Um comentário:

  1. Eu so desendente de Drumond os familiares da minha mae por banda do pai eram extranjeiros que se ocultarom na Madeira na ilha de Porto Santo. Como sei se venho desta linha?
    Obrigada

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